sábado, 17 de maio de 2014

Refúgio

Deixe-me livrar-lhe de seus pecados.
Deixe-me curar seus anseios.
Deixe-me amar você.
Deixe-me caminhar do seu lado.

Você é a chama do meu ser.
Você é o alimento da minha alma.
Você é o sabor dos meus sonhos.
Você é o som da minha vida.

Com minha frente abaixada
inundando minha estrada de lágrimas,
sufocando-me em minhas próprias desgraças,
você vem, me abraça,
me ama e me salva.

És meu refúgio.

Sua imensidão obscura,
seus afagos inesperados,
só anseio pela doçura
de um beijo roubado.

E quando finalmente
nossas almas se unirem para sempre,
quero deitar em seu colo,
fechar meus olhos
e sorrindo te dizer:
as estrelas iluminaram 
meu caminho até você.

                                  
Céu, és meu refúgio.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Demons and Angels (for Gabriel Dantas)

Já perambulei por caminhos turbulentos
mais de uma vez
onde amores rebentos
jogados ao relento
se enchiam mais e mais de rudez.

Apunhalado, destruído
pensamentos sórdidos
sonhos perdidos.

Prazer, estes são meus demônios.

Errado?
Ás vezes.
Deslocado?
Quase sempre.
Derrotado?
Jamais.

Ergo minhas asas esplendorosas
alço voo até a lua exuberante
e de lá observo
sua busca incessante
inundando sua alma petulante
de futilidade, rancor,
maldade e langor.

Enquanto você vive
sua vida medíocre
tentando agradar a quem lhe convém,
eu estou aqui,
livre, de braços abertos,
sorrindo para o sol,
abraçando as estrelas,
enxergando na vida
sua real realeza.

Prazer, estes são meus anjos.

E é assim,
entre demônios benevolentes,
anjos malignos,
que vou seguindo,
um passo de cada vez.


sábado, 22 de fevereiro de 2014

Inferno pela glória

Cheio de extremos
assim você é
andejando pelo inferno e glória
proferindo sua doce e venenosa inópia.

E eu como uma tola
sempre correndo até você
com o coração na mão
e um eu te amo na ponta da língua.

Estulto e sem escrúpulos
atirando suas fétidas palavras
que rasgam a minha pele
mais do que a mais afiada faca.

Covarde e ignaro
com seu charme inelutável
ludibriando pobres almas ignorantes
levando-as ao mais profundo inferno.

Encantador e irresistível
arrancando até a última gota de glória
do meu coração já despedaçado
só com um sorriso sacana no rosto
e truculência nos lábios.

Essa sou eu
vivendo entre a glória e o inferno
sentindo prazer na dor
neste báratro que parece ser um
labirinto no qual estou fadada a viver trancada
para sempre e por todo o sempre.

Seja bem-vindo ao meu destino.
Seja bem-vindo à minha vida.
Seja bem-vindo à minha glória.
Seja bem-vindo ao meu inferno.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Soturna.

Já desfaleceu tantas vezes que mal posso contar.
Já se perdeu nos caminhos mais obscuros.
Já não tem mais esperanças de ver o pôr-do-sol de novo.
Já não sabe o que é sorrir a muito tempo.

Jogada aos lobos famintos e sedentos
pelo o que lhe resta de crença no amor
deste imundo mundo.

Chora as lágrimas mais pesarosas,
sente a dor mais profunda,
vê amores perderem o valor,
escuta promessas sem pudor.

Esta sou eu.
Alma soturna,
vagando pelos caminhos
em busca de um lugar
onde a solidão e a dor não sejam rotinas.

domingo, 25 de agosto de 2013

Desejos.

Existe algo que quero lhe dizer,
te sinto tão real,
me dê sua mão
e nossos corações falarão por nós.

Busco vagalumes nessa floresta
escura e solitária que você é,
para o iluminar o caminho
ao seu coração sem fé.

Que as manhãs se tornem mais belas,
que sua voz se torne mais alegre,
que essa vida se torne mais apaixonada,
que meus braços se tornem seu descanso,
que nossas almas se tornem inseparáveis,
que nossos beijos não tenham final,
que seu calor me abrace,
que esta solidão desapareça,
que nossos caminhos permaneçam juntos,
que a chuva não arranque o telhado da nossa esperança...

Que estes meus desejos se realizem...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Anjo Caído.

Esperanças jogadas ao vento,
deixadas no relento,
sem direção, sem sentido,
sem cor, sem brilho.

Emoções jogadas em um labirinto
sórdido e mesquinho,
sem saída e sem vida,
preto e branco...
Onde só se ouve seu clamor e seus prantos...

Lembranças jogadas em um turbilhão
destroem o que resta de suas asas
iludidas, caídas,
arrependidas, desfalecidas.

O medo anda ao seu lado,
a dor o atormenta,
a solidão é perturbadora,
anjo caído pairando
sobre o ensurdecedor silêncio
das batidas do coração daquela
que um dia ele já amou.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Calada, sentada e descalça.

Te espero calada, sentada e descalça.
Adormecida, esperançosa por ouvir tua voz
a me dizer aos gritos
que me quer por inteira e já superou tudo aquilo.

Talvez nem imagine a quanto tempo anseio por ti,
a quanto tempo te tomo em meu pensar,
a quanto tempo estou aqui,
calada, sentada e descalça
como uma louca atrevida.

Você está a guardar seu coração
para alguém que lhe queira de verdade com todas as suas verdades,
Para sentir o perfume da vida a dois,
para te ensinar a ver a primavera de novo...
EU ESTOU AQUI.

Este teu pavor em sentir,
é só um meio de mascarar seu sofrimento...
Passe o tempo que for,
passe o que for,
como for e quando for,
estarei aqui, te esperando,
sentada, calada e descalça.